• Luiza Carvalho

Relato: 6 meses sem tomar anticoncepcional

Atualizado: 26 de Dez de 2019


Parar de tomar anticoncepcional não é uma decisão simples de se tomar. Comecei a tomar com uns 17 anos, motivada principalmente pelas crises de cólica que me deixavam acabada. E como um passe de mágica, o ciclo chegava e a cólica não. Era quase um milagre, uma felicidade gigante não sentir aquela dor absurda que me deixava com vontade de ficar deitada pra sempre. Outro motivo, claro, foi pela prevenção a uma gravidez indesejada. Tudo sempre indicado por um ginecologista, e fazendo certinho os exames necessários para a prevenção de problemas de saúde.

Mas se você que está lendo é uma mulher, provavelmente vai me entender: como foi difícil me adaptar aos remédios, que vinham sempre com um efeito colateral de brinde. Nem tudo são flores, não é mesmo? Sempre senti enjoos, dor no estômago, queimação... fora as dores de cabeça e enxaquecas. Já tomei Yasmin, Selene e o Siblima, que eu me lembre. E mudar o medicamento não mudou em nada as coisas ruins que eu sentia.

Hoje, com 24 anos, decidi parar de tomar o anticoncepcional. E neste post trago meu relato de como foram os seis primeiros meses após cortar o remédio da minha rotina.

DECISÃO

Parar de tomar o remédio foi uma decisão totalmente pessoal. Não fui ao médico para falar sobre isso, e talvez isso pode ter sido um erro, confesso. Simplesmente parei. Depois de ler tantos relatos e concluir que o anticoncepcional talvez estivesse me fazendo mais mal do que bem, decidi parar totalmente em janeiro de 2018. E volto a dizer: isso foi uma decisão pessoal. Por acreditar nos sinais do meu corpo, e no que eu julgo melhor pra mim neste momento. Pode ser que um dia eu queira voltar a tomar, claro, e não vejo isso como um problema.

CONSEQUÊNCIAS

Ao parar de tomar anticoncepcional, comecei em pouco tempo a perceber que algumas coisas começaram a mudar. Vou dividir aqui o que eu penso que foi positivo, e no que acredito que tenha sido o lado negativo que eu realmente não esperava.

Sobre o lado positivo, preciso dizer que realmente meu corpo deu os sinais certos. Minhas dores no estômago, que eram muito constantes, nesses 6 meses sem remédio praticamente não existem mais. As dores de cabeça eram quase todo dia, e agora também diminuíram. Enxaquecas estão raras. Não acredito que tenha sido uma mera coincidência. Eu realmente estou me sentindo muito melhor e acredito que os hormônios estavam me prejudicando. Lembro de novo que isto é um relato pessoal, sem comprovações por exames.

Já quanto ao lado negativo, é aí que veio minha surpresa. Estava tudo indo muito bem, dentro da normalidade, umas cólicas de levezinho de vez em quando... e por volta de março minha pele começou a ficar com muita acne. Pensei comigo que logo passaria, que era uma fase breve, e decidi não fazer nada em relação a isso. Mas passou abril, maio, e a coisa só piorou. Quando eu digo que piorou, é no sentido mais intenso que você possa imaginar. Eu NUNCA, nem no auge da minha adolescência, tive tanta espinha e acne. Elas se concentraram nas minhas costas inteiras, na nuca, acima dos seios e no pescoço, em torno das orelhas. Graças a Deus não atingiu meu rosto. Mas chegou a um ponto desesperador, estava horrível eu não aguentava mais. Então procurei ajuda com uma dermatologista e entendi que o que estava acontecendo era uma crise de acne hormonal. Era meu corpo se regulando à falta dos hormônios do remédio, e aos meus hormônios naturais. Foi uma explosão de espinhas e oleosidade da pele causados pela pausa do anticoncepcional.

Passar por essa fase não foi muito fácil, até eu compreender que aquilo não era anormal e que tinha solução. Segundo a dermatologista que consultei, isso acontece com várias mulheres que param de tomar o AC, e muitas, no desespero, voltam a tomar para controlar as acnes. Só que voltar a tomar remédio não era uma opção pra mim nesse momento.

TRATAMENTO

Com indicação médica, comecei então a tratar a acne hormonal. Está sendo fácil? Não. Está melhorando rápido? Não! Desde maio estou tomando um comprimido e passando uma pomada nas espinhas, e elas já diminuíram muito, muito mesmo. Não vou colocar aqui o nome dos remédios, pois penso que é preciso ter um acompanhamento médico para avaliar cada caso. Seria irresponsável da minha parte recomendar remédios.

Além dos medicamentos, a dermatologista também recomendou o uso de um sabonete líquido para pele acneica, com o objetivo de combater acne e a oleosidade. Lavo o rosto com ele duas vezes por dia, e também tenho passado nas costas e outras áreas que continuam aparecendo espinhas. Estou usando o Actine, da Darrow, que foi a indicação médica. É um ótimo produto, preço acessível e qualidade excelente! Tenho sentido os reflexos positivos na pele durante esse processo.

Eliminar a acne e cuidar da pele tem sido só o primeiro passo. Em um segundo momento será a hora de cuidar das manchas na pele, que é outra coisa que aconteceu como consequência das espinhas. Mas, por hora, estamos focados no controle dessa acne causada pela interrupção do anticoncepcional. Tá dando certo, e a fase tensa está começando a passar. Amém, viu!

E AGORA? SUBSTITUÍ O ANTICONCEPCIONAL?

Quando comento que parei de tomar anticoncepcional, muitas pessoas me perguntam se vou utilizar algum outro método, como o DIU ou a injeção. E minha resposta, por enquanto, é não. Não quero hormônios por enquanto. E para prevenir gravidez existe camisinha. Continuo fazendo exames ginecológicos de rotina e, estando tudo certo, pretendo continuar dessa forma neste momento. Pode ser que no futuro eu mude de opinião, ou mudem as necessidades, e assim vamos nos adaptando a cada fase que vivemos. Sem radicalismos.

Se você, assim como eu, está passando pelos primeiros meses de interrupção dos hormônios, ou se está pensando em parar, vá em frente. Pesquise, entenda seu corpo e sua vida, e procure seu ginecologista, claro, dentro do que for necessário de acompanhamento.

Esses primeiros meses sem anticoncepcional estão sendo um período libertador pra mim, e mesmo com essa questão da acne eu ainda vejo mais reflexos positivos do que negativos na minha vida e no meu corpo. As espinhas mexeram sim comigo, por uma questão de autoestima e vaidade. Não nego. Talvez você também passe por algo semelhante, ou talvez simplesmente não te aconteça nada. Cada corpo é um corpo e a gente não pode ficar se comparando, não é mesmo?

Espero que meu relato tenha sido positivo e útil para que você construa sua opinião e tome a melhor decisão para si. Continue lendo sobre o tema, e esteja certa de que você é quem deve decidir o que é melhor para o seu corpo.

Até a próxima, e obrigada por visitar o blog! <3


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